Ilha Grande:

 

  Sobre a Ilha Grande - RJ

Uma ilha ... uma porção de Mata Atlântica cercada de água por todos os lados. Este local de rara beleza natural é motivo de orgulho e privilégio para poucos milhares de pessoas.

Até 1994 a atividade turística era bem pequena , inibida pela presença de seu extinto presídio. Amaldiçoado naquela época pela comunidade, aquele presídio no qual foi plantada a semente do grupo criminoso Comando Vermelho, foi também um benfeitor, responsável pela preservação da Ilha. Diz um velho ditado popular: Há males que vem para o Bem.

Podemos dizer que o turismo na Ilha ainda é uma criança com 10 anos de idade e por isso, ainda não tem uma personalidade turística formada. A exploração do turismo é inevitável e ao mesmo tempo necessária, porém, este não é um local para o turismo de massa e sim para o turismo ecológico. Cada um de nós, na qualidade de morador ou turista é responsável pela preservação. Devemos ser conscientes que quando cometemos atos inconseqüentes, agredimos o meio ambiente, quebramos sua harmonia e comprometemos as futuras gerações.

A Ilha Grande está localizada ao sul do Estado do Rio de Janeiro, na Baía da Ilha Grande.

O local mais importante da ilha é a Vila do Abraão, que fica distante dos portos do continente cerca de 11 milhas náuticas.

 

 

  História da Ilha Grande - RJ

Dois anos após o Descobrimento do Brasil o navegador André Gonçalves que já havia batizado o Rio de Janeiro, descobriu em 06 de Janeiro a Ilha Grande. A princípio eles pensavam que a Ilha era um continente e ao seu leste, havia a desembocadura de um grande rio.

Segundo registros do Padre Anchieta o paraíso ilhado era habitado por índios Tamoios e eram valentes guerreiros, ótimos flecheiros, caçadores e pescadores de linha e mergulho. Viviam de modo distinto dos outros indígenas do continente, além de terem sua linguagem também diferente. Existem relatos também de sua ocupação por índios Tupinambás.

Se formos analisar uma cronologia, em 1532 foi incluída nas terras da Capitania de São Vicente. Em meados do século XVI, começa uma longa guerra entre portugueses, franceses e os índios Tamoios, que retardou sua colonização por mais de meio século. Somente em 1803 o povoado consegue obter identidade jurídica, elevando-se à categoria de Freguesia, de Santana da Ilha Grande de Fora. Tornou-se um famoso entreposto do tráfico ilegal de escravos até a abolição da escravatura em 1888. Somente depois de proclamada a República, em 1891, é que foram criados dois primeiros distritos: Abraão e Sítio Forte, hoje Araçatiba.

A Ilha Grande teve um importante papel histórico de destaque internacional, registrando episódios de pirataria, tráfico de escravos e contrabando de mercadorias, ocorridos entre os séculos XVI e XIX.

Com a descoberta do ouro e da prata no Peru no fim do século XVI, a bacia do Prata tornou-se o local de onde tais riquezas eram carregadas pela frota espanhola. Entre a Europa e a bacia do Prata, os locais mais convenientes para reabastecimento de água e lenha eram as ilhas de Santa Catarina, São Sebastião e Ilha Grande.

No mesmo período, ocorreu o fim da "Invencível Armada" Lusitana. Desse fato resultou a intensificação do contrabando do Pau-Brasil e muitos outros tipos de contrabando.

A história registra um grande número de corsários ingleses que foram encontrados em nossa costa, traficando escravos, contrabandeando pau-brasil, abordando navios e saqueando cidades.

Os holandeses também marcaram sua presença no início do século XVII. Registraram-se alguns conflitos entre holandeses e mestiços (índios-portugueses) que habitavam a ilha. Com a invasão holandesa no norte do Brasil, a freqüência daqueles navios tornou-se rara na baía da Ilha Grande.

Depois dos holandeses, vieram os franceses no início do século XVIII (1701-1718). Um dos pontos de interesse dos corsários franceses pela Ilha Grande residia no fato da ilha ser vizinha à Parati, porto marítimo de escoamento do ouro extraído das Minas Gerais. A inexistência de fortificações e tropas, abundância de lenha e água, e uma geografia que possibilitava uma melhor ação de fuga, eram outros pontos que atraiam os franceses.
 

  Características

Situada na Baia de Ilha Grande no município de Angra dos Reis/RJ, a ilha é coberta por uma densa e exuberante Floresta Tropical onde se situam o Parque Estadual da Ilha Grande e a Reserva Biológica da Paria do Sul.

São 157 km de litoral, 193 km² de área, 7 enseadas e 106 praias. Entre estas praias, cinco delas podemos chamar de paradisíacas: Caxadaço, Praia do Sul e Leste, Aventureiro, Lopes Mendes e Saco do Céu. Mas Ilha Grande é um lugar fabuloso onde todas as praias são cercadas de encantos.

Sua geografia é bem acidentada tendo como ponto culminante o Pico da Pedra D'água com 1037 metros e o Pico do Papagaio (990 metros) como a principal elevação devido a sua beleza. O clima é Tropical, quente e úmido, sem secas, temperatura média do ar de 20ºC - 30ºC , temperatura média da água de 18ºC - 24ºC, dias de sol por ano de 180 a 200, índice de chuvas de 750 a 1500 mm.

A Vila de Abraão pode ser considerada a "capital" da Ilha oferecendo estrutura de pousadas, campings, restaurantes para todos os gostos além de possuir transporte com freqüência para Angra dos Reis, telefone público e mini-mercado.

Os povoados de Araçatiba e de Provetá têm relativa infra-estrutura. Destaque também para Dois Irmãos, local onde abrigava o antigo presídio e agora é uma estação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

  Curiosidades

Em meados do século XIX surgiu a necessidade de se construir um novo Lazareto, uma espécie de hospital apropriado para abrigar viajantes e imigrantes portadores de cólera, normalmente contraída nos navios. Vários estudos vinham sendo elaborados nesse sentido quando o imperador Dom Pedro II, no dia 5 de dezembro de 1863, fez sua primeira visita a Angra dos Reis. Em seu Diário de Viagem, que se encontra no Museu Imperial de Petrópolis, registrou-se com desenhos e textos a sua passagem pela Ilha Grande, não escondendo o seu encantamento pela singular beleza da ilha.

O imperador visitou a Enseada de Palmas e em seguida a frota parou na enseada de Abraão e sua Majestade pernoitou na Fazenda do Holandês. Durante a sua estadia na vila de Abraão o imperador doou a Manuel Caetano de Lima uma quantia para a capela em construção na praça central, cujo padroeiro é São Sebastião.

Em 1884 a Coroa adquiriu a fazenda do Holandês e logo em seguida a de Dois Rios. A propriedade da fazenda do Holandês estava compreendida entre a praia Preta até a atual ponte de atracação do Abraão. Esta área ainda hoje é de propriedade do Governo Federal.

A Fazenda de Dois Rios pertencia a família Guimarães, tendo sido vendida à Coroa também em 1884. A propriedade estendia-se desde o canto da praia de Santo Antônio, próximo a Lopes Mendes até o lugar denominado Mar Virado, perto da praia Parnaioca.

Nesse mesmo ano começou a construção do Lazareto, obra que terminou em 1886 e que contribuiu muito para o desenvolvimento da Vila do Abraão, que foi elevada a distrito de Angra dos Reis em 9 de maio de 1891.

O funcionamento do Lazareto seguia o mesmo critério adotado pelos navios de passageiros. Existiam pavilhões de 1ª, 2ª e 3ª classes. Havia restaurantes, armazéns para cargas e bagagens, laboratório bacteriológico, enfermaria e farmácia, além de belos jardins.

O Imperador Dom Pedro II teve três passagens pelo Lazareto: Em abril de 1886, em agosto de 1889 e, logo em seguida na condição de prisioneiro onde aguardou o transporte que o levaria para o exílio.

O Lazareto funcionou de 1886 até 1907 tendo atendido 4232 embarcações, das quais 3367 foram desinfetadas.

De 1913 até aproximadamente meados da década de 30 o Lazareto permaneceu desativado, sendo utilizado até 1939 como alojamento pelos fuzileiros navais, por ocasião de manobras militares as quais reuniram cerca de 10 navios na enseada do Abraão. Naquelas noites os fuzileiros se reuniam e agitavam a comunidade da Vila quando praticavam o "MARACATÚ", um tipo de música e dança de origem nordestina. Em 1902 o Lazareto também começou a funcionar como presídio político, com o Exército fazendo a guarda dos presos. Em 1907, Oswaldo Cruz oficializou a desativação do Lazareto, passando este a funcionar exclusivamente como presídio político (Colônia Penal Cândido Mendes), que abrigou personalidades como Graciliano Ramos, Orígenes Lessa, Agildo Barata, entre outras.

A Colônia Penal Cândido Mendes funcionou até o início da década de 60. Foi demolida inexplicavelmente em 1962, pelo governador do então estado da Guanabara, Carlos Lacerda. Até hoje se indaga se Lacerda teria autoridade para cometer tal ato, pois a área continuava a pertencer ao Governo Federal.

O Lazareto era abastecido pelo mesmo aqueduto que atendia e ainda atende a "Vila do Abraão". Hoje o Lazareto se resume em algumas ruínas das galerias. O aqueduto ainda encontra-se em bom estado.
 

 

Agradecimentos:

Apontamentos para a história do Rio de Janeiro, Angra dos Reis e Ilha Grande.
Carl Egbert Hansen Vieira de Mello.

"Tratado Descritivo do Brasil", de Gabriel Soares de Souza.

Guilherme Rocha - 360° Graus.